Vai o menino só na estrada grande,
Grande e medonha entre pinhais sombrios,
Entre uivos ruivos, roucos e bravios
Arranhando o silêncio que se expande...
A mãe dissera-lhe: -- «O menino, ande
«Longe das selvas, dos fundões, dos rios...»
E avós, irmãos, amigos, primos, tios:
-- «Menino, vá por onde a gente o mande!»
Mas o menino foi desobediente.
E andou por vias ínvias ou sem gente,
Pela mão de enigmáticos destinos.
Saltar-lhe-ão lobos vis e cães de el-rei...
-- Foi pondo o ouvido em terra, que escutei
Lobos uivar e soluçar meninos.
José RégioBiografia1929