Cão

Antologia de textos com cães dentro.

sábado, 20 de agosto de 2022

Também tu morreste, há muito,
em bosque de raízes emaranhadas,
cadela lócria, a mais veloz das cachorras,
feliz com a língua de fora; uma víbora de
garganta malhada enroscou-se nos teus
membros e instilou um veneno corrosivo. 

Versão de José Alberto Oliveira, in Poemas da Antologia Grega, Assírio & Alvim, Fevereiro de 2018, p. 18

terça-feira, 19 de julho de 2022

Veio de Malta, o cão branco,
fiel guardião de Eumelus.
Chamava-se Touro; agora, as veredas
silenciosas da noite não o deixam ladrar.

Versão de José Alberto Oliveira, in Poemas da Antologia Grega, Assírio & Alvim, Fevereiro de 2018, p. 26. 

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Um cachorrinho pequinês

    Encolhido sobre um velho blusão de lã rasgado, Juca, o cachorrinho pequinês da minha irmã mais velha, voltava a tremer aos pés da lareira. O fogo morria, deixando em seu lugar apenas duas ou três pequenas brasas que logo também seriam extintas. Eu adorava o calor das chamas, mas tinha aversão ao cheiro forte da lenha queimada que dominava o ambiente quando restavam somente cinzas. Apenas pó.
   Naquele anoitecer glacial, o cheiro inimigo parecia vir com todas as suas forças, enquanto um vento úmido e insensível aos meus pavores se infiltrava pelas frestas da grande porta daquela casa de fazenda onde costumávamos passar metade das férias de inverno. Eu desenhava uma paisagem de praia e sol, sentada sobre o grosso tapete de lã de ovelha, e brigava com as pulgas do Juca, com a frieza do mármore da mesinha central, com a insensibilidade do vento e com a lenha morta. Só me faltavam forças mesmo era para enfrentar o sol de cobre, pendurado logo acima da lareira, com seu eterno sorriso malévolo, o cenho franzido e um olhar que me encontrava em qualquer canto da ampla sala para depois debochar dos tremores de meus cinco anos. Evitava ao máximo encará-lo, mas, quando a lareira permanecia acesa, era difícil: as chamas atraíam o meu olhar, e o sol carrancudo ganhava vida ao refletir o baile das labaredas. Por isso, apesar do frio e do vento, não pedi para que avivassem o fogo. O vinho tinto e a conversa ininterrupta esquentavam os adultos, que nem notaram o enfraquecer das chamas. Falavam alto e fumavam muito, tornando o ar ainda mais espesso e desagradável.
   — Já que é inevitável, o melhor é nem pensar — dizia meu tio poeta, tentando encerrar o assunto.
  — Pois eu acho que temos de pensar, sim, e aproveitar cada momento como se fosse o último — contestava minha tia.
   — E sair fazendo loucuras por aí, sem qualquer responsabilidade? Não se esqueçam de que depois temos de prestar contas. Afinal, a morte não é o fim de tudo.
   Essa última era a minha mãe, sempre acrescentando algumas pitadas de sermão em suas falas. O pai, racional, contestava com impaciência:
   — É difícil para vocês se convencerem de que tudo acaba. Não aceitam o ponto final, então inventam Deus, céu, inferno. Tudo bobagem. Se acabou, acabou. É a inconsciência. Como um sono sem sonhos. Fim.
   Na lareira, a última brasa virava cinzas, e o sol de cobre percebia meus arrepios. Na tentativa de não escutar a conversa, eu tentava me concentrar na letra de uma canção que era moda na época: moro num país tropical/ abençoado por Deus/ e bonito por natureza.../ Mas o clima gaúcho em julho não era nada tropical, e meu pai, ainda por cima, duvidava da existência de um Deus a abençoar nosso país. A conversa voltava a invadir meus ouvidos, agora com o optimismo do tio poeta:
   — Talvez, um dia, a Ciência ainda consiga driblar a morte. Impedir o envelhecimento das células, combater as doenças. Enfim, deixar que morram apenas os mais descuidados: pára-quedistas, aviadores exaltados, poetas... esse pessoal que não se cuida muito.
   — Absurdo. O homem nunca será como Deus — condenava minha mãe.
   A intervenção da tia acabou com minhas esperanças restantes:
   — Mesmo que a Ciência conseguisse impedir o envelhecimento das células, um dia todos morreríamos. O universo está em expansão. Um dia o mundo vai acabar. E será o fim da humanidade.
   Para fugir do olhar do sol malévolo, eu havia dado de cara com um gavião empalhado que me observava, pousado no canto oposto da sala. Também não éramos íntimos. Abandonei então o desenho e fui buscar um copo d'água na cozinha, com a expectativa de ouvir outras conversas quando retornasse. Eu poderia brincar sozinha no quarto, mas... e se o sol de cobre fosse atrás, levado pelo gavião?
   Até chegar à cozinha, novo suplício: eu teria de passar pelas sombras da sala de estar, onde meu irmãos e minha irmã adolescentes assistiam a um filme de terror e comiam pipocas, com os rostos azulados pela luz da TV. Cúmplices de minhas assombrações, os dois não perdiam a oportunidade de se divertir:
   — Quer pipoca? Então senta aqui conosco para ver esse filme. É O fantasma da rua Morgue — convidou meu irmãos, em seguida unindo-se à risada aterrorizante que a irmã iniciara um pouco antes. Era Poe na TV, numa adpatação cheia de liberdades, a começar pelo título. Mas a crítica, eu só faria anos depois.
   Passei correndo pela TV, com as mãos apoiadas nas têmporas, impedindo tanto a visão do filme como da dupla adolescente. Tomei um pouco d'água e retornei, novamente encobrindo a visão, à sala principal. Entre as duas, havia um corredor algo expressionista, que agora havia triplicado de tamanho. Tropecei no escuro, ouvindo os gritos provenientes da televisão, misturados à conversa dos adultos, que já chegava aos meus ouvidos. O assunto tinha evoluído: enterros. Mais especificamente, falavam sobre enterrados vivos. Pode de novo.
   Voltei à mesa de mármore, onde tentei me distrair com um brinquedo batizado de Tijolinhos: pequenos retângulos de madeira, nos quais eram pintados tijolos verdes e vermelhos, portões e telhas. A saída foi começar a construir um castelo — e às vezes, ainda hoje, me vejo envolvida com a mesma brincadeira, que nunca tem fim.
   — Contam casos horríveis de cadáveres que são encontrados contorcidos nos caixões — dizia minha mãe, interrompida pela tia:
   — É. Às vezes, as tampas chegam a estar marcadas de sangue e arranhões desesperados.
   — O ideal seria que cremassem todo o mundo — raciocinava meu pai. E percebeu que o fogo da lareira havia apagado, abrindo bruscamente a porta da sala para buscar mais lenha. Um vento forte estremeceu a sala e derrubou meu castelo, ainda incompleto. Juca se encolheu mais um pouco. E eu desatei a chorar. Chorei alto, aos borbotões. Gritei meu choro, despertando os adultos quanto à minha presença. Calaram-se. Meu pai entrou com a madeira e fechou a porta, perguntando o que tinha havido, enquanto começava a fazer o fogo. Minha mãe então já me abraçava, repetindo a mesma pergunta de todos:
   — O que foi?
   Expliquei como pude e fui tranqüilizada. Não, eu não morreria. E quando o mundo acabasse? Não, ele não acabaria. Tudo bobagem deles, dizia minha mãe, lançando olhares de reprovação a todos. 
   — Não dá para falar certas coisas perto de criança. Ainda mais dessa menina, que é tão nervosa — afirmava ela, talvez imaginando que, além de nervosa, eu tivesse problemas auditivos.
   Levei ainda um tempo para ser convencida  de minha imortalidade, mas acabei dormindo serena, com a mãe sentada ao lado, cantando. Se ela havia garantido, era verdade.

   Na manhã seguinte, acordei leve e percebi que o sol brilhava muito lá fora. Os últimos cinco dias tinham sido todos nublados, e a única visão ensolarada fora aquela de cobre, carrancuda sobre a lareira. Corri para a rua, disposta a brincar entre as árvores, quando percebi que minha irmã chorava baixinho, ajoelhada ao chão, sendo consolada pela mãe. O pai entrou no carro, o olhar de algumas toneladas, levando um saco de supermercado com algo que parecia se mexer lá dentro. Arrancou e partiu em direcção à estrada.
   — O que foi? — perguntei, torcendo para não ouvir a resposta.
   A mãe não disse nada, mas minha irmã contou, soluçando, que o Juca tinha dormido em baixo da roda do carro. Sem perceber, nosso pai havia atropelado o cachorrinho pequinês. E saíra para enterrá-lo.

Laís Chaffe, in Não é difícil compreender os ETs, AGE, 2002, pp. 83-89.

domingo, 26 de dezembro de 2021

OS ESCRIBAS

Alguns desenham vestidos com os poemas
Alinham as palavras até formarem um cone
Ou um "vê" se nos pretendermos mais precisos
Depois segue-se o contorno das ancas,
As palavras agora são o tecido para o baile
E o poema pronto para que se lhe aprecie o decote.
Eu não tenho jeito para desenho
Há muito se me fugiu a habilidade dos arquitectos premiados
Dos escritores de sorrisos largos nas fotografias
Das estantes ornadas com mascotes de cristal.
A minha mascote é um cão, destes a que chamam vira-latas
Pestilenta sombra, apedrejada pela luz do dia
Cão tão breve quanto o seu próprio nome, atropelado
Muito antes que o peso da roda atravesse a sua costela.
Sou mais deste animal expulso da sua infância à fisga.
Não me perguntem nada, que nem latir eu posso
Neste país de mais poetas que técnicos agrários.

 
Álvaro Fausto Taruma, in Animais do Ocaso, Exclamação, Agosto de 2021, p. 97.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

O CÃO

    Um dia apareceu em minha casa uma senhora com um cão ao colo.
   — Não há quem mo cure! Ninguém mo cura! Por isso vim consultá-lo — declarou-me a mulher, chorosa e desfigurada.
   O animal tinha um carão dolorido, porque a dor não é privativa do homem, sabendo-se que o elefante e o Macacus naurus vertem lágrimas, lágrimas a sério, não essas inventadas pelo fantasiar dos romancistas. 
   Examinei o cãozinho, porque o mais humano e mais sábio é uma pessoa não se ofender quando tal não foi a intenção. Além disso, entre um cãozinho e uma criança...
   O cão fitava-me como os doentes fitam sempre o médico extraordinário que os há-de curar, aquele a que recorrem em última instância, custe o que custar e ande por onde andar.
   Nos laboratórios, muitas vezes esgaravatei o cérebro dos animais e as entranhas deles sem que o coração parasse. Foi nos animais que curei todas as doenças dos homens.
   Este cão tinha cancro e estava nos seus últimos dias. Voltando a examinar, mais do que a doença do cão, a pele dele, percebi que era um cão facilmente substituível. Cão branco com uma mancha preta, como um emplastro de doente dos olhos sobre o olho esquerdo...
   — Minha senhora, o seu cão não tem praticamente nada... Mentem-lhe os que lhe dizem que ele vai morrer irremissivelmente daqui por poucos dias... O seu cão só tem a memória deformada, tenho que lha raspar... Irá esquecer um pouco a dona, não poderá responder pelo nome que tinha, mas há-de viver... Eu ponho-lhe outro nome e curo-lho. Deixe-mo cá ficar.
   — Muito obrigada! Muito obrigada! — gritou-me a senhora, e lá me deixou o cão numa poltrona e ao mesmo tempo com pesetas sobre a mesa...
   Senhora de grande pulseira de correntes — com uma espécie de cadeado no fecho como coleira de cão. Senhora de cauda rendada e de malinha de mão cor de canário. Senhora com um véu às bolinhas que pareciam um enxame de abelhas ou moscardos assanhados com a cara dela, lentamente se sumiu, acenando-me grandes adeuses e dizendo-me em cada degrau: Obrigada! Obrigada! Obrigada!, verdadeira cena de acção de graças que só deve ter acabado quando ela entrou no carro particular, um desses carros enrarecidos e repletos de silêncio azul marinho.
   O cão fitava-me de cima da poltrona com a tristeza do homem que tem um tumor inflamatório ou umas anginas espantosas. Para não perder tempo, apanhei um carro de praça e fui a uma «cãozarria» buscar um cão igual. Lá o encontrei, a mancha era quase igual e só tinha o rabo um pouco mais comprido. Comprei-o com a condição de lhe cortarem doze centímetros no rabo e de ficarem com o cão moribundo. Dias depois devolvi o cãozinho à dona, sorrindo do meu ardil, pois foi este o único humorismo da minha profissão. Tê-la-á abocanhado aquele cão vadio que dava pelo nome de Ninchi?

Ramón Gómez de la Serna, in O Médico Inverosímil, tradução de Júlio Henriques, Antígona, Novembro de 1998, pp. 120-122.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

OUTRO AFORISMO DE KARL KRAUS

Woodie, um cãozinho de pêlo comprido que eu conheci pessoalmente, que se ria quando os humanos lhe falavam e chorava por não poder conversar com eles e o seu olhar era, para si e para os outros o agradecimento à Criatura, foi morto por um automóvel. Quem é que esteve com tanta pressa? Será que o pouco espaço de que um transeunte destes precisava - e ele sabia fazer-se tão esguio como uma serpente - deve agora ser usado de modo mais proveitoso? Os dignos pagam o preço para que os outros continuem a viver uma vida indigna. Mas porquê, uma vez que nem mais este exemplo contribui para melhorar os maus? Ele seguia o seu caminho, e morreu por isso. Quando a mulher se virou, ele jazia ao sol. Onde a vida se passou sem palavra, permanece um grande silêncio.

Karl Kraus, in "Aforismos", tradução de Lumir Nahodil, VS., 2018, p. 383.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

UM AFORISMO DE KARL KRAUS

O homem contesta ao cão que ele procure a porcaria. O que abona ainda menos em favor deste é o facto de procurar o homem. Ainda assim, comprova a sua superioridade por não ir a correr para "a casa das três raparigas". 

Karl Kraus, in Aforismos, tradução de Lumir Nahodil, VS., Julho de 2018, p. 323.

domingo, 16 de maio de 2021

TESTEMUNHA

Guardei a camisola com os pêlos do
cão — testemunha ocular da tentativa.
Transportava lágrimas para as mãos
do dono e trazia carícias de volta.
Coração pequeno à espera de um tufo
de entendimento. Puxou pelo cotão
macio das palavras. Lambeu o rosto e
ofereceu a baba. Mais não tinha para dar.
Deu tudo o que os humanos não deram.

Tão simples o barómetro do amor —
uma cauda erguida. Olhos rasos de perdão.
Sem nada pedir. Sem nada esperar.
Apenas a caruma dos antigos passeios
e quatro mãos a guiá-lo. Give me five e um
cordão de lealdade. Assim os humanos
soubessem amar, transportando 
ao pescoço a única angústia.

Maria F. Roldão, in Pequeno Sangue, volta d'mar, Fevereiro de 2021, p. 15.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

AZINHAGA II

Uma insolência seria bastante
Para a conveniência de um regresso
Como este sol alçado
Que aguarda o seu fim;
Mas não é isto importante.

Como aquilo que não vemos,
O importante,
É o semelhante a tudo,
Surpresa sem destinatário,
Como a indiferente
Humidade quente que do mijo sobe
E ora cai sobre o silvado;

Direi o que importante pode ser:
O cão que passa e rosna
Tem para com a sua fome
A harmonia de um ódio
Igual ao meu;
O moscardo vaivém
Entre cadáver de rato
E flor de cardo,
Que pousa no meu beiço como se beijasse
Em pedante homenagem
De quem se despede;
Uma sombra vem
E com ela a importância de quem sou.

Nunes da Rocha, in Sabão Offenbach, &etc, Abril de 2015, pp. 49-50.

sábado, 20 de março de 2021

PREFIRO O INÁCIO,

 a quase todos os poetas que conheço.
Não sei se morreu ou se já não vive
— pois foi proibido de beber
e de fumar, e o Inácio era
essencialmente isso: um grande bêbedo
e um fumador diligente, que ensinara
o cão a ir junto da taberneira buscar-lhe
novo maço de tabaco. Quem viu, acredita.

Quem não viu, falhou o milagre.

Manuel de Freitas, in Ubi Sunt, Averno, Junho de 2014, p. 13.


segunda-feira, 1 de março de 2021

HOMENAGEM

Morreu enforcado com um colar de flores
e os cães saltam para lhe lamber os pés.
Morreu enforcado coberto de flores.
Erguidos sobre as patas traseiras
os cães lambem-lhe os pés.

Dizem que fôra poeta (o que é vulgar)
mas ocultam a luz que o revestia.
Deu um tiro na cabeça e simultaneamente
enforcou-se com um colar de flores.

A extravagância não é o facto, mas a cor.

Por isso fotografam o cadáver
já liso e sereno como um lago
pestífero, quieto e silencioso.

Novembro 1967

Manuel de Castro, in Bonsoir, Madame, Alexandria / Língua Morta, Dezembro de 2013, p. 235.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021



nesse dia verdadeiro
eu vi o céu próximo
jardins como este
mais tarde

no encosto do banco de pedra
escreves a tua contribuição à história do cãozinho

o cão interessava-me muito
   o seu tamanho
   as suas pontes
   sobre o Sena e sobre o Eure

o cão interessava-me muito
   mantém-te de esguelha
   na barca tu não tens
   só passareis uma vez

o cão interessava-me muito
   o seu tamanho
   para onde
   o arco vai

já é alguma coisa ser este cãozinho
   vermelho na frente
   e azul
   nas orelhas

Anne Portugal, in Sud-Express. Poesia Francesa de Hoje, trad. António Ramos Rosa, Relógio D'Água, 1993, p. 195.

domingo, 17 de janeiro de 2021

UM POEMA DE JOÃO PEDRO AZUL

 


XXII

          quando for grande
Quero ser cão
ladrar às camionetas
           que ao passar
fazem estremecer
          sem aviso
a pele de vidro que visto

          a minha rua
Não tem fim
Esta fome que trago nos ossos
          também não
Mas se fim houvesse
certo estaria do sal
a gretar-me a boca

          confundir o mar com o tempo
          quando não se sabe nadar
É névoa que anuncia a tragédia


João Pedro Azul, in Um Cavalo Sentado à Porta, Edição do autor, Outubro de 2020, p. 43.


DISFORME

Nobre rafeiro que me acompanhas
quando me deito também sou de quatro patas
a mexer com tal velocidade que o meu lombo
separa-se ondulando para fora 
como um tapete voador.
De regresso ouço embevecida
o compasso ternário do barulho 
que fazes a absorver água.
Uma valsa incompleta
embalando o biscoito de coelho
que retiro tão feliz do forno.
Olhas para mim
perscruto o reverso 
da minha paisagem 
submersa em dívidas
e então percebo logo
porque é que a vida
ainda corre de feição.

 

sábado, 9 de janeiro de 2021

NALA


 

sábado, 20 de abril de 2019

1 ANO


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